O CCOMA nasceu como duo instrumental, com a rica sonoridade latino-americana e as tradições musicais do Sul do país como base. Ao acrescentar vozes ao trabalho, Luciano Balen e Beto Scopel não abandonam o desenho instrumental: eles reorganizam o espaço da canção para que a voz entre como mais uma camada, e não como substituta do arranjo.
As referências declaradas ajudam a orientar o ouvido: Kraftwerk e Jean Michel Jarre puxam o lado eletrônico, Azymuth e Donna Summer apontam para o groove e para a levada dançante. A busca por timbres do fim dos anos 1970 e do começo dos anos 1980 coloca baixo, bateria e teclado no centro da mixagem, e a nova versão de “Aprendendo a Jogar” funciona como prévia do que estará em Subtropical Temperado.
O mesmo cuidado com a informação objetiva aparece em materiais de consulta direta: o guia disponível em blaze entrar reúne cadastro, uso no celular e limites de depósito e saque em linguagem simples, formato útil a quem só quer entender o passo a passo antes de decidir. Depois disso, voltar aos discos costuma render outra percepção das camadas.
Para o ouvinte que prefere percorrer a trajetória antes de opinar, vale lembrar que são três álbuns instrumentais, e que um deles, Peregrino, foi reconhecido na categoria Álbum Eletrônico, o que dá dimensão ao cuidado com o som. A entrada da voz, aqui, é consequência desse acúmulo, e não um recomeço.